Metodologia Roda da Inovação, do Fórum, no Valor Econômico

POR EM Inovação em Pauta, Matérias

Por Paulo Vasconcelos – Valor Econômico
A nomenclatura pode variar: design thinking, Spigit, Canvas, crowdsourcing, open innovation, brainstorming, business story board e lean startup são alguns dos modelos mais adotados pelas empresas para impulsionar novos produtos e serviços ou atingir a excelência em gestão.

diagrama1

Nesse cardápio de receitas multinacionais há espaço até para um exemplo com nome bem brasileiro: o Seis Chapéus, que representa seis atitudes clássicas, com tudo o que pode dar errado ou certo, no desenvolvimento de soluções corporativas.
Os modelos podem não passar de quadrados gráficos que focam os desafios das empresas, mas visam sempre a mesma meta: mostrar que inovação não tem nada de mágica. Depende de disciplina e sistemas. “Inovação é a fruta, mas tem o caroço que é a gestão da inovação. Se não montar um modelo com um conjunto de práticas que assegurem a inovação, não vai se chegar ao resultado esperado”, diz Valter Pieracciani, da Pieracciani Desenvolvimento de Empresas, que já formou centenas de profissionais treinados para a aplicação das metodologias de inovação.

“Inovação precisa ter fundo de investimento e ferramentas tecnológicas, mas também, estratégia e processos”, afirma Milton da Vila, líder do programa Deloi e Innovation. Empresas que não seguem modelos, mas precisam inovar para sobreviver no mercado, com o lançamento urgente de produtos ou serviços, podem apelar para o dinamizador – um tour intensivo para mobilizar a equipe para a inovação com o uso de vários modelos.
Em dez dias já surgem desde estímulos até protótipos. Quem passa por este processo incorpora a inovação e costuma buscar modelos mais efetivos. O Business Model Canvas mudou o mundo. Trata-se de uma ferramenta de gerenciamento estratégico, composto por um mapa visual pré-formatado contendo nove blocos do modelo de negócios que permitem esboçar e desenvolver atividades até chegar à inovação.
A Spigit, uma plataforma de gestão interna de inovação da Mindjet, é uma espécie de rede social na empresa que cadastra ideias de projetos. O design thinking é um modelo que tem como princípio criar produtos e serviços de negócios a partir da ótica do consumidor.

A Fundação Getulio Vargas tem a Roda da Inovação. A metodologia foi desenvolvida há cinco anos pelo Fórum de Inovação da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EAESP). É baseada em uma visão sistêmica da organização alicerçada nas cinco competências essenciais da inovação: liderança e intenção estratégica, meio inovador interno, pessoas, processos de inovação e resultados da inovação.”A Roda já serviu de ferramenta para uma revista de negócios classificar as empresas mais inovadoras do país e é utilizada para avaliar as empresas parceiras do fórum. Este ano está sendo aplicada numa pesquisa com todas as empresas filiadas à Fundação Nacional da Qualidade”, diz Marcos Augusto de Vasconcellos, coordenador do Fórum de Inovação da FGV/EAESP.

“Inovação não é uma disciplina de gestão . É mais um movimento. Demanda uma infinidade de coisas que empregam ferramentas e metodologias”, afirma Milton da Vila, da Deloitte. Todas seguem o princípio essencial de que inovação não pode ter visão de curto prazo e implica em erro. Os especialistas dizem que criar um círculo virtuoso de inovação é importante, mas depende muto de persistência e disciplina. Modelos como o lean startup – um conjunto de aplicação rápida de processos que combina o desenvolvimento ágil de softwares e de clientela – são essenciais no processo de transformar ideias em produtos e serviços.
Não servem apenas de suporte, mas de alavancadores de negócios. “Modelo de inovação é o nosso negócio e o nosso diferencial”, diz Fernando Lemos, vice-presidente de tecnologia da Oracle para a América Latina. A gigante de tecnologia investe US$ 5 bilhões por ano em inovação. Para criar novas famílias de produtos, aportou nos últimos anos mais de US$ 70 bilhões em aquisições de empresas.
O conhecimento que compra ou desenvolve tem que ser compartilhado depois com os clientes. O Hospital Sírio Libanês foi um dos beneficiados pela variedade de soluções inovadoras da Oracle. As voltas com um gargalo no relacionamento com os clientes, que não acompanhou o ritmo de crescimento dos atendimentos, a instituição precisava de uma nova infraestrutura e de novos modelos de gestão.

Em junho de 2012, com cerca de 5 mil usuários operando o Sistema de Informação Hospitalar, os chamados sobre lentidão no sistema do hospital eram em média 30 ao dia. Com a implementação da solução Oracle, chegaram a zero. O agendamento de exames passou a contar com um sistema de informação com resposta instantânea. Alguns dos processos administrativos, que consumiam cerca de 20 minutos, passaram a ser feitos em apenas dez segundos. Os ganhos de eficiência permitiram que o Sírio Libanês pudesse atender mais pacientes e se preparasse para os planos de expansão do espaço físico e da duplicação do número de leitos.