Gestão de ouro feita por quem entende de lata

POR EM Inovação em Pauta, Matérias TAGS: , ,

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Uma das 20 companhias mais inovadoras do Brasil vive de ideias. Algumas, brilhantes; outras, nem tanto, mas todas registradas, nenhuma se perde. Nem sempre a melhor é implantada, até porque uma simples, como o aproveitamento melhor de espaço na distribuição de latas numa embalagem, tem custo zero e gera uma economia de R$ 5 mil por mês. Mas que empresa é esta, cujos funcionários têm no contrato de trabalho o registro de “inventores” e podem contribuir com inovações? A Brasilata, líder brasileira no setor de embalagens metálicas, cujo faturamento em 2011 foi de quase R$ 450 milhões. Com um Prêmio FINEP no currículo, em 25 anos, colheu um milhão de ideias inovadoras, porque “inovar” é o verbo que traduz sua missão.

O projeto, conhecido como Simplificação, é voltado aos funcionários e, na verdade, pode ser traduzido como uma usina de ideias que premia aqueles que entregam soluções inovadoras para a melhoria do trabalho. Somente em 2011, foram 137.223 novas ideias, média de 150,1 por empregado. Para o professor da Fundação Getúlio Vargas e CEO da Brasilata, Antonio Carlos Teixeira Álvares, “inovar não é apenas uma nova ideia, mas uma ideia que teve sucesso”.

As inovações radicais mudam a base de competição da empresa no mercado, enquanto as incrementais trazem pequenos resultados e estão presentes em todas as organizações. “Ao contrário do que muita gente pensa”, ambas não competem entre si, são aliadas”, diz Teixeira Álvares. E traz novo olhar sobre o conceito de que as inovações radicais são sempre tecnológicas e fruto de grande esforço em P&D. Esse tipo de inovação traz resultados excepcionais que, em muitos casos, nada têm a ver com novas tecnologias.

E tem mais. Organização inovadora é a que pratica inovação sistemática, contínua, de produto, processo, gestão ou negócio de qualquer porte, assegura o CEO da Brasilata. Até há pouco tempo, acreditava que a inovação sistemática não estava relacionada à P&D, mas com o passar do tempo, “aprendemos com a FINEP que é impossível sobreviver ao mercado sem isso”. Hoje, está sendo construído um pavilhão de mil metros quadrados destinados exclusivamente à pesquisa e desenvolvimento.

O pulo do gato

Mas nada é mais importante para uma organização que envolver todos os funcionários, inclusive os que exercem funções mais simples. Esta consciência fez do Projeto Simplificação o pulo do gato da empresa. Primeiro, abriu os canais de comunicação, “do general ao soldado raso”, criou o processo de geração de ideias e entendeu que era importante valorizar as pequenas. “São as pequenas ideias que criam o hábito de mudança, são fáceis de implementar, envolvem riscos menores, são mais sustentáveis que as grandes e atrás de uma pequena ideia pode vir uma inovação radical”, sinaliza Teixeira Ávares.

Mas, afinal, qual a motivação que leva os empregados a dar ideias? Muitos fatores. As melhores ideias devem ser simbolicamente premiadas e celebradas intensamente. Por outro lado, a empresa avalia que as recompensas individuais em dinheiro precisam ser evitadas porque envenenam o clima de cooperação, são fontes potenciais de corrupção, exigem controle intenso e, comprovadamente, produzem muito menos ideias.

Para ele, a melhor recompensa individual nada tem a ver com o dinheiro, mas com a auto-estima pelo reconhecimento do time. E tem mais: a Brasilata admite apenas quem procura o primeiro emprego. E prefere, na contramão histórica das empresas, os que criam laços afetivos no trabalho. No fundo, é uma grande família dividida em times, que não rivalizam, se complementam.

(12/12/2012) – Finep