Teoria U no Brasil

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teoriaUA vontade de trazer esse curso para cá vem de longe: “desde que um grupo participou do ELIAS, em 2006, em Boston, havia o desejo de realizar esse curso no Brasil. Reforçou-se o sentimento quando Otto esteve aqui em 2010, finalmente, em 2012, conseguimos. Quero ressaltar o envolvimento para a realização desse projeto, citando os profissionais envolvidos: Ilma Barros (Presencing Institute), Janine Saponara (Lead Comunicação), Luiz Lunkes (INNOneste Global Solutions), Waverli Neuberger (Universidade Metodista), e eu”, revelou Wilson Nobre, professor da FGV e executivo da Nucleotec.

O objetivo dessa empreitada foi facilitar o acesso e promover a união entre todos os que estudaram a Teoria U: “O nosso propósito foi literalmente ancorar esse projeto por aqui, afinal já existem vários profissionais que realizaram o Foundation em Boston, mas que atuam de forma isolada. Queremos ser a rede que os conecta”, destacou o professor.

O evento contou com a presença do idealizador da Teoria U, Otto Scharmer, que também é economista e professor do MIT (Massachussetts Institute Tecnology) e da equipe do Presencing Institute: Arawana Hayashi, Marian Goodman e Ilma Barros.

Um pouco dessa jornada

O curso reuniu 50 participantes que ficaram imersos, durante os cinco dias, realizando exercícios reflexivos, clínicas de casos, dinâmicas de grupo, atividades de consciência corporal, buscando transcender velhos padrões e reconhecer novas possibilidades para a inovação. “Cuidamos de tudo para que as pessoas pudessem, de fato, mergulhar nessa experiência, até a alimentação foi diferenciada, tivemos a chef Silvia Corbucci que elaborou um cardápio equilibrado e totalmente orgânico”, contou Wilson.

Para isso, logo no início do programa, em si, a facilitadora Marian propôs uma pausa silenciosa de 30 segundos, para que as pessoas pudessem perceber a importância da reflexão para as suas vidas, necessidades, carreiras, conexão consigo mesmas, com a natureza e com o grupo em si.

“Aceitem meu convite para se juntar a nós num processo de co-criação dessa experiência e, ressalto, que poderemos torná-la aquilo que queremos que ela seja”, incitou Marian. Explicou que a Teoria U é uma tecnologia humana, viva, fundamentada na ciência e que faz uso de uma combinação de presença mais percepção, num termo denominado “presencing”. Nesse estado, é possível perceber, e trazer para o presente, o nosso mais elevado potencial futuro, como indivíduos e como grupo”, complementou.

Marian prosseguiu apresentando dados surpreendentes:

“Estamos diante de algo que está se desintegrando, sentindo algo novo que quer emergir, mas o homem está sofrendo um processo de grande divisão, um processo que vai contra a sustentabilidade da vida e do planeta”:

– Divisão Ecológica (Eu – Natureza): por ano estamos utilizando 1,5 planetas Terra. Isso quer dizer que estamos utilizando metade a mais dos recursos naturais que a Terra pode nos oferecer;

– Divisão Social – 2,5 (Eu-Outro) – precisamos “calçar o sapato do outro”. Nos EUA, por exemplo, 1% tem a posse de 90% dos recursos econômicos, vivemos uma grande desigualdade”

– Divisão Espiritual – 3 – (Eu – Eu) – no mundo, 3 vezes mais pessoas se suicidam do que as que morrem em guerras ou violência, de acordo com a OMS.

“Isso significa que muitas vezes, apesar das nossas boas intenções, nem sempre geramos resultados desejáveis, por exemplo, dificuldades de mobilidade, desigualdades, guerras. Estamos olhando o mundo de forma fragmentada e não de forma sistêmica”, defendeu Otto, proponente da Teoria U.

A Teoria U prega, de forma prática, quatro níveis de resposta à mudança, quatro tipos de escutas e conversação, via 3 instrumentos:

– Mente Aberta

– Coração Aberto

– Vontade Aberta

O evento contou ainda com a surpreendente palestra do VP da Natura, Marcelo Cardoso, que contou a partir da sua experiência pessoal, o que vem acontecendo na empresa e deu sua opinião sobre o que representa a Teoria U: “penso que a teoria institucionaliza o que é milenar: a contemplação. Quando estou envolvido, sou o sujeito, não consigo perceber, muitas vezes é preciso afastamento. Dessa forma, eu consigo me conectar com uma nova percepção, uma nova solução para o problema, ela emerge, quase que naturalmente. Considero uma excelente tecnologia social, uma ferramenta de profunda transformação pessoal e do meio”, disse.

O Prof. Wilson Nobre, executivo da Nucleotec e gestor do projeto, revelou-se bastante satisfeito com os resultados: “surpreendi-me ao perceber que profissionais ligados às áreas de coaching e transformações organizacionais, declararam terem sido sensibilizados com o método da Teoria U e com as mudanças que eles perceberam em si mesmos. Foi uma experiência ímpar para todos”.

Além disso, ao final do curso, numa dinâmica sugerida por Otto, as pessoas puderam revelar seus desejos de projetos futuros e já encontraram, ali mesmo no grupo, outras pessoas que os ajudarão a viabilizá-los. “Acredito que bastam cinco pessoas reunidas em prol de um objetivo para que ele aconteça, independentemente do que seja e qual seja a sua proporção”, revelou Otto.

Para o futuro grandes aspirações: “no próximo semestre reuniremos todos os participantes que já fizerem o curso Teoria U, tanto aqui como em Boston, para um encontro e também teremos uma nova turma do Programa Teoria U no Brasil no ano que vem”, disse Wilson e concluiu: “se o que os participantes sentiram no evento pudesse ser resumido numa frase, gostaria de fazer uso de uma de Gandhi: seja você a mudança que quer ver no mundo”.

Acompanhe, em breve, aqui no portal uma entrevista exclusiva com Otto Scharmer.

Informações adicionais, contatar Wilson Nobre pelo e-mail wilson.nobre@fgv.br