THE IDEA-DRIVEN ORGANIZATION

POR EM Acadêmico

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THE IDEA-DRIVEN ORGANIZATION:

unlocking the power in bottom-up ideas

 

Alan G. Robinson and Dean Schroeder

 

O livro trata de um assunto que tem sido pouco abordado pela literatura especializada – a geração e captação de ideias do pessoal da linha de frente das organizações, ou do “chão de fábrica” no caso de empresas industriais.

Os autores já haviam publicado, em 2004, o grande sucesso editorial Ideas are Free (em português, Ideias para Revolucionar Sua Vida, editora Gente)que se tornou referência no estudo de sistemas internos de sugestões das organizações.

THE IDEA-DRIVEN ORGANIZATION
The book broaches a subject that has been scarcely discussed by specialized literature – the generation and collection of ideas from the front-line personnel of organizations, or “factory floor”, in the case of industrial companies.
The authors had already published, in 2004, the great editorial success Ideas are Free (in Portuguese, Ideias para Revolucionar Sua Vida, publisher Gente), which became a reference in the study of internal systems of suggestions of organizations.

Tive a grande satisfação de conhecer pessoalmente, em 2010, os autores Alan Robinson (professor da Universidade de Massachusetts) e Dean Schroeder (professor da Universidade de Valparaiso – Indiana). Na ocasião eles estavam trabalhando no projeto do novo livro e procurando uma empresa no Brasil que possuísse um sistema de sugestões de alto desempenho. Encontraram a Brasilata, uma das empresas que tem o seu caso analisado no livro.

O livro é recheado de casos reais.  Ao todo são mais de 60 citações de organizações diferentes. Os autores são cuidadosos e citam, nominalmente as empresas, em pouco mais da metade (36) dos exemplos . Nos demais casos, por abordarem erros ou fracassos, os nomes das empresas são omitidos.

Ao longo do texto torna-se claro que as organizações que têm um sistema interno de sugestões de alto desempenho, definidas como ”Organizações Guiadas por Ideias”, obtêm resultados muito superiores a média setorial. Coloca-se então a pergunta: por que as organizações desse tipo ainda são tão raras?

A resposta é o preconceito da maioria dos gestores que têm dificuldade em acreditar que existe valor suficiente em ideias dos empregados do chão de fábrica para justificar o esforço de buscá-las. Por meio de exemplos muito convincentes, os autores mostram vários casos que comprovam que 80% do potencial de melhorias em uma organização concentram-se nas ideias do pessoal da linha de frente.

Um dos objetivos centrais do livro é sugerir caminhos para uma organização se tornar guiada por ideias. Como consultores do assunto, os autores mergulharam fundo nesse tipo de organização para entendê-las. Entretanto reconhecem que uma coisa é entender como funciona uma empresa guiada por ideias, outra bem diferente é saber como criar uma organização com esse foco – e esse parece ser o objetivo central do livro.

Afirmam que os sistemas de sugestões surgiram há mais de um século e, nesse período, foram adotadas várias formas para promover ideias dos empregados, porém, na maioria das vezes com pouco sucesso. Entretanto, observam que esse cenário estaria mudando nos anos recentes. Empresas com os melhores sistemas internos de sugestões têm implantado, rotineiramente, 20, 50, 100 ou mais ideias por funcionário por ano e se destacado por sua competitividade setorial.

No capítulo cinco os autores indicam, de forma didática, três tipos que consideram fundamentais nas empresas com sistemas de sugestões de alto desempenho.

O primeiro tipo seria baseado no sistema de origem japonesa, conhecido como teian-kaizen. Consideram a primeira geração de sistema de sugestão de alto desempenho que continua a funcionar excepcionalmente bem.  Exigiria, porém, uma cultura específica muito forte, fator difícil de conseguir no curto prazo. Vale ressaltar que o único sistema do gênero citado no livro é o da Brasilata que tem obtido a marca de mais de 150 ideias por funcionário por ano com 90% de implantação.

Outros dois sistemas são definidos pelos autores: um está baseado em “processo de reuniões de ideias” para discussão de oportunidades de melhoria; e outro, denominado como “processo de quadro de ideias” que permitiria a todos os envolvidos visualizarem os problemas.  Os autores destacam que os processos de sugestões de alto desempenho são completamente diferentes do tradicional sistema de caixa de sugestões.

É indicado um programa de nove etapas para a implantação de um sistema de ideias de alto desempenho.  A primeira dessas etapas seria a de assegurar o compromisso de longo prazo da liderança da empresa sem o qual o sistema cairia no vazio – são citados diversos exemplos de fracasso devido à falta de envolvimento da liderança.

Segundo os autores, os sistemas de sugestões de alto desempenho tratam basicamente das melhorias continuas, porém como quebram barreiras culturais ao intra-empreendedorismo, favorecem também inovações radicais, que muito se beneficiam das ideias dos empregados.  O livro apresenta vários exemplos de inovações radicais originadas por ideias da linha de frente.

As organizações guiadas por ideias ainda são raras na atualidade, mas os autores acreditam que no prazo de 20 anos se tornarão lugares-comuns. Um dos autores declara que, no ano de 1991, quando escreveu um artigo foi quase impossível encontrar bons exemplos dentro dos EUA, pois eram quase todos japoneses do tipo kaizen. Em 2004, ano que foi escrito Ideas Are Free, alguns sistemas de sugestões de alto desempenho foram encontrados nos EUA, Europa e em outros países asiáticos. Hoje já existem muitas organizações com sistemas maduros de sugestões de alto desempenho e capazes de promover inovação em taxas extraordinárias

Aos que se interessam pelo tema de geração de ideias e inovação, considero altamente recomendável a leitura de The Idea-Driven Organization: unlocking the power in bottom –up ideas.

Antonio Carlos Teixeira Alvares

Professor da FGV/EAESP

Membro Fundador do Forum FGV/Inovação

Brasilata — CEO