Os caminhos na Busca da Excelência – Artigo 5

POR EM Acadêmico

eduardo

Os caminhos na Busca da Excelência

Artigo 5 – O aprendizado como construtor da competitividade de um país

 

 

 

 

 

Eduardo Vieira da Costa Guaragna (*)

 

A competitividade existe na medida em que há mercados com capacidade de escolha entre alternativas, por parte dos consumidores. Organizações competitivas obtêm a preferência nas escolhas. A competitividade, dada a sua característica dinâmica e temporal, depende da capacidade da empresa em formular e implementar estratégias diferenciadas que lhe permitam obter e manter, no longo prazo, posição sustentável no mercado.

Para as organizações serem competitivas, dois conjuntos de elementos precisam estar atendidos. O primeiro pode-se afirmar que se trata de “fazer bem o tema de casa”. Aqui nos referimos aos aspectos empresariais ou microeconômicos que constroem a competitividade e que são de responsabilidade de seus principais administradores.

O segundo conjunto trata das condições de macroambiente e de infraestrutura externas às organizações, mas que interferem diretamente na sua capacidade de competir.

The paths in the Pursuit of Excellence – Article 5

Learning: the building block of a country’s competitiveness
Competitiveness exists to the extent that there are markets offering the possibility of choice between alternatives, by consumers. Competitive organizations obtain the preference in these choices. Competitiveness, given its dynamic and temporal nature, depends on the ability of the company to formulate and implement unique strategies to obtain and maintain, in the long term, a sustainable position in the market.
For organizations to be competitive, two sets of elements need to be addressed. We can say the first one is “doing your homework well”. Here we refer to the microeconomic or business aspects that build competitiveness, which are the responsibility of its main administrators.
The second set deals with the macro environmental and infrastructural conditions that are external to organizations, but interfere directly in their ability to compete.

Fazer bem o tema de casa”, fundamentalmente, é ser capaz de definir e executar um posicionamento estratégico que contemple o uso mais inteligente das competências e recursos existentes na organização, incluindo atenção aos aspectos de ordem econômica, social, ambiental, cultural e ético. Implica em autoconhecimento organizacional, permitindo contextualizar a organização para que melhor formule suas estratégias. O autoconhecimento em sintonia com a estratégia permite que a empresa possa tirar o melhor de suas características e explorar com profundidade o seu DNA empresarial. Também pode levar a reinventar-se empresarialmente, caso o autoconhecimento mostre que a estratégia apropriada é a saída para novo negócio ou forte investimento na inovação. Por último, diríamos que os alinhamentos das ações organizacionais com os mecanismos de gestão são facilitados quando há coerência entre o autoconhecimento e a estratégia empresarial. Esse foco dá sentido a excelência, qualificando e priorizando a ênfase sobre os tipos de processos organizacionais. Dizemos que o “tema de casa” está bem realizado quando a organização tem esse alinhamento bem construído, conhece as lacunas e tem programas e projetos visando minimizá-los. Apesar de ser uma condição necessária para uma organização ser competitiva, o “fazer bem o tema de casa” pode não ser o suficiente.

O segundo conjunto de elementos deve ser o facilitador da competitividade. Estamos falando das condições estruturais e macroambientais necessárias e que são exógenas às ações organizacionais, mas que numa visão sistêmica e de processo, alavancam ou inibem a capacidade de competir das organizações. Isso é tanto mais verdadeiro e relevante quanto maior o nível de globalização e de abertura dos mercados, expondo às organizações a uma competição global. Assim, quando nos referimos a fatores macroeconômicos, de natureza fiscal, ou de deficiência em logística, escoamento, transporte, na formação educacional e profissional ou relativo à realização de negócios – os transacionais -, por exemplo, estamos adicionando uma parcela de custos e encargos por conta desses elementos, àqueles custos internos inerentes à atividade fim de uma organização.

O somatório dos custos e encargos dos dois conjuntos de elementos leva ao custo final, podendo tornar não competitiva uma organização ou um setor, principalmente se a estratégia for focada em diferenciação por custos. Nesse particular é importante que as organizações desenvolvam estratégias buscando a diferenciação de seus produtos, com foco na inovação, no design ou na criação de soluções customizadas, tornando-se menos suscetível à concorrência por preço. A solução para pavimentar o caminho da competitividade é, sem dúvida, atuar sinergicamente nos dois conjuntos de elementos. As organizações devem ser instigadas pelos clientes e pelo nível de exigência dos mercados a entregarem produtos e serviços com qualidade, diferenciação e custos compatíveis ao valor por eles percebidos e buscando, ao mesmo tempo, o atendimento às expectativas socioambientais da comunidade, dado o inegável papel de responsabilidade social das organizações no mundo atual. O governo e instituições formuladoras de políticas econômico sociais e os provedores de infraestrutura e demais aspectos regulatórios e burocráticos às atividades empresariais precisam atuar com visão sistêmica em prol do resultado final: construção das condições para que a competitividade empresarial se estabeleça e evolua.

Mas aonde o aprendizado organizacional, ou até mesmo entre instituições e organizações tem seu mérito? No âmbito empresarial ele tem relevante papel na construção da competitividade na medida em que busca dotar a organização e as pessoas com capacidade para perceber antecipadamente os sinais de mudança no ambiente, criar novos conhecimentos ou aplicar seus conhecimentos, atuando nesse cenário e formulando estratégias e implementando soluções a tempo certo de obter vantagem competitiva. Talvez a única vantagem competitiva hoje seja a capacidade de aprender mais rapidamente que seus concorrentes (De Geus). Também no âmbito interno a verdadeira prática do aprendizado leva a que os líderes reflitam sobre seus princípios e crenças, mudem seus comportamentos e permitam que se criem e se implementem processos que levem a resultados diferenciados e a excelência (artigo 3). Ou seja, a evolução de uma organização à competitividade sustentada está diretamente relacionada ao fato de sua capacidade de aprender.

O aprendizado encontra no âmbito externo às organizações importante papel junto aos formuladores de políticas e de governo que afetam o ambiente e a infraestrutura necessária à competitividade. Pela prática, de fato, dos conceitos de visão de futuro compartilhada – que nível de competitividade nós temos como meta para os próximos 10-20 anos?- de decidir mudanças com visão sistêmica, de liderar dispostos a rever os princípios orientadores do comportamento em prol da competitividade sustentável, de gerenciar processos e não eventos ou problemas, sobretudo abstraídos de vínculos político-partidários. O conhecimento acumulado tem que servir para criar melhorias ou novas soluções, o que ainda não é prática no Brasil.

O sucesso virá quando a parceria no âmbito empresarial e externo às organizações se estabelecer, compartilhando a visão do todo na busca de objetivos comuns. Desta forma seremos capazes de criar as bases para um Brasil em que todos evoluam, um Brasil competitivo e sustentável.

Você, empresário ou líder formulador de políticas de governo, pense nisso!

Guaragna, janeiro de 2014.