Os caminhos na Busca da Excelência – Artigo 4

POR EM Acadêmico

eduardo

Os caminhos na Busca da Excelência

Artigo 4 – Características de uma unidade autônoma de Classe Mundial

 

 

 

 

 

Eduardo Vieira da Costa Guaragna (*)

 

Este artigo faz parte de um conjunto de cinco artigos em que se procura abordar a jornada da excelência pelas organizações, buscando uma reflexão sobre os aspectos que levam ao seu sucesso como também àqueles que limitam ao alcance deste objetivo. São considerações que decorrem da experiência do autor no tema gestão, construída ao longo de mais de 30 anos, atuando como profissional em empresas privadas, em instituições do terceiro setor (PGQP, FNQ, MBC), na atividade docente e em consultoria.

The paths in the Pursuit of Excellence – Article 4

Characteristics of a World Class autonomous unit
This article is part of a set of five articles which seeks to address the journey towards excellence by organizations, inquiring a reflection on aspects that lead to success as well as those that limit the achievement of this goal. These are considerations that arise from the author’s experience in the managing theme, built up over more than 30 years, working as a professional in private companies, third sector institutions (PGQP, FNQ, MBC), in teaching activities and consulting.

Características de uma unidade autônoma de Classe Mundial

Uma unidade autônoma se caracteriza por ser facilmente distinguida de sua corporação ou demais unidades e ser autossuficiente o bastante para ser avaliada nos oito critérios de excelência (FNQ, 2011).

Cada vez mais as organizações focam negócios específicos, estruturados segundo unidades autônomas ou semiautônomas, com políticas, recursos, sistemas e valores comuns, ditos corporativos. A sinergia de princípios e, em alguns casos, de recursos, mas mantendo autonomia no core business da unidade, passa a fazer parte do modelo de negócio das organizações. Dentro deste contexto nos perguntamos: é possível uma unidade autônoma alcançar a Classe Mundial? E Como? O que a diferenciaria das demais de sua corporação?

Vamos dividir nossas considerações em duas partes: uma relativa a processos de gestão e outra a resultados.

Processos de gestão

Processos de gestão definidos pela corporação / organização principal

Há dois níveis de implementação e avaliação

Primeiramente a implementação e avaliação dos “como” se dará na corporação/organização principal no que se refere ao enfoque, aplicação, aprendizado e integração.

Enfoque:

Adequação: grau de adequação das práticas apresentadas pela corporação/organização principal aos requisitos do item.

Pró-atividade: nível de pró-atividade dos requisitos do item para as práticas apresentadas pela corporação/organização principal.

Aplicação

Abrangência: Nível de abrangência do conjunto das práticas de gestão apresentadas pela corporação/organização principal em termos de áreas, processos, produtos e partes interessadas.

Continuidade: continuidade na corporação/organização principal de todas as práticas de gestão apresentadas.

Aprendizado

Refinamento: Nível de refino na corporação/organização principal das práticas de gestão apresentadas.

Integração

Coerência: Coerência das práticas de gestão apresentadas com as estratégias e objetivos da corporação/organização principal.

Inter-relacionamento: Inter-relação das práticas de gestão apresentadas com outras práticas de gestão da corporação/organização principal.

Cooperação: Nível de cooperação, com outras áreas da corporação/organização principal ou PI, das práticas de gestão implementadas.

Assim, nesta avaliação as Oportunidades de Melhoria e Pontos Fortes devem mencionar que se trata da corporação/organização principal.

Neste particular uma corporação/organização principal dará uma contribuição positiva ou não à sua Unidade, dependendo do quanto foi eficaz na definição e implementação dos seus processos de gestão.

Ou seja, a corporação/organização principal tem que ser capaz de demonstrar que possui processos e práticas de gestão maduras em todos os fatores de avaliação dos “como.”, naquilo que é de sua competência.

Mas, e o papel da unidade, qual é?

O segundo nível de implementação e avaliação dos “como” se dará na unidade, mas apenas no que é esperado que venha a executar a partir das práticas de gestão da corporação/organização principal.  A forma de fazer, com certeza, difere de unidade para unidade. Aqui já começa a diferenciação.

Enfoque

Adequação: grau de adequação das práticas apresentadas pela unidade aos requisitos do item, em conformidade às praticas definidas pela corporação/organização principal.

Pró-atividade: nível de pró-atividade dos requisitos do item para as práticas apresentadas pela unidade em conformidade às praticas definidas pela corporação/organização principal.

Aplicação

Abrangência: Nível de abrangência do conjunto das práticas de gestão apresentadas pela unidade em termos de áreas, processos, produtos e PI, em conformidade às práticas definidas pela corporação/organização principal.

Continuidade: continuidade na unidade de todas as práticas de gestão apresentadas em conformidade às práticas definidas pela corporação/organização principal.

Aprendizado

Refinamento: Nível de refino na unidade das práticas de gestão apresentadas em conformidade às práticas definidas pela corporação/organização principal.

Integração

Coerência: Coerência das práticas de gestão apresentadas na unidade com as estratégias e objetivos da corporação/organização principal.

Inter-relacionamento: Inter-relação das práticas de gestão apresentadas na unidade com outras práticas de gestão da corporação/organização principal.

Cooperação: Nível de cooperação, com outras áreas da organização ou PI, das práticas de gestão implementadas na unidade em conformidade às práticas definidas pela corporação/organização principal.

As Oportunidades de Melhoria e os Pontos Fortes devem mencionar que se trata da unidade.

Ou seja, a unidade tem que ser capaz de demonstrar o seu alinhamento às práticas definidas pela corporação/organização principal, apresentando práticas bem elaboradas e maduras em todos os fatores de avaliação dos “como”.

É pouca coisa atender a isso? Com certeza, não! A unidade tem que vencer três desafios:

1- Ser capaz de aperfeiçoar a sua “sintonia fina” com a corporação/organização principal, sem o que ela estará sempre atrasada na implementação das mudanças advindas da corporação/organização principal.

2- Ser capaz de “customizar” para sua cultura (o seu jeito de fazer) as práticas gerenciais advindas da corporação/organização principal.

3- Ser capaz de aproveitar ao máximo a liberdade de atuação a ela concedida, dentro dos limites corporativos, para elaborar práticas que agreguem valor ao negócio de sua unidade.

São “toques” pessoais.

Que processos normalmente apresentam estas características, mais dependentes da corporação?

Sem sermos exaustivos, citamos:

– Governança Corporativa;

– Formulação das estratégias;

– Desenvolvimento Social;

– Informações na Organização (parte de TI);

– Ativos Intangíveis (tendem a ser mais corporativos);

– Sistemas de trabalho (políticas de Gestão de Pessoas);

– Capacitação e Desenvolvimento (políticas a respeito);

– Qualidade de vida (política de benefícios);

– Processos relativos a fornecedores e econômico-financeiros (normalmente mais centralizados ou seguindo diretrizes corporativas);

Processos de gestão definidos pela unidade

Sem dúvida há um conjunto de processos de gestão que são de competência da unidade. Assim, a implementação e avaliação dos “como” se dará integralmente na unidade no que se refere ao enfoque, aplicação, aprendizado e integração.

As Oportunidades de Melhoria e os Pontos Fortes devem mencionar que se trata da unidade.

Ou seja, a unidade tem que ser capaz de demonstrar que nas práticas definidas por ela apresenta elevada maturidade, segundo todos os fatores de avaliação dos “como”.

Que processos, normalmente, são de competência maior ou exclusiva das unidades?

– Exercício da liderança e promoção da cultura da excelência;

– Análise do desempenho da organização;

– Apoio à implementação das estratégias (da corporação);

– Imagem e conhecimento do mercado e relacionamento com o cliente: Neste critério a unidade tem plena condição de mostrar a sua competência;

– Responsabilidade socioambiental (no que é da unidade);

– Sistema de trabalho, seu funcionamento, envolvendo lideres, equipes;

– Ambiente, o comprometimento das pessoas e clima organizacional, capaz de despertar o “brilho nos olhos” das pessoas;

– Processos principais do negócio e alguns de apoio. Aqui também a unidade tem potencial de se destacar.

Resultados

Resultados construídos pela corporação/organização principal

Como uma unidade pode se valer dos resultados da corporação / unidade principal?

A medida em quem a unidade ajuda a construir os resultados da organização principal é justo que lhe seja atribuída propriedade conjunta destes resultados, desde que não seja possível segmentar especificamente a sua contribuição.Estes resultados apresentados devem ser capazes de posicionar diferenciadamente a corporação / organização principal no seu setor de atuação.

Os fatores de relevância, tendência e nível atual deverão ser aqueles utilizados pela corporação / organização principal.

Resultados construídos pela Unidade

Aplicam-se os fatores de relevância, tendência e nível atual coerentes com o do setor, negócio da unidade. Ou seja, os resultados próprios da unidade devem ser capazes de mostrar que a unidade é diferenciada no setor de atuação, no seu negócio.

Conclusão

Uma unidade autônoma pode sim se destacar na busca da Classe Mundial, mesmo tendo determinado nível de dependência ao grupo a que pertence. Esta busca requer uma estratégia bem elaborada por parte da unidade, visto o nível de interdependência existente entre a unidade e a corporação/organização principal.  Aqui também a máxima de Michael Porter se aplica. Uma organização tem boa parte da sua competitividade dependente do setor de atuação. Uma unidade autônoma tem da mesma forma, boa parte de sua excelência dependente da corporação/unidade principal. Para vencer este desafio e ser reconhecida como de Classe Mundial é preciso que:

  1. a corporação / organização principal apresente práticas de classe mundial que sejam aplicáveis a unidade, sendo diferenciada no seu setor e negócio;
  2. a unidade implemente, refine e integre de forma diferenciada  práticas suas que sejam decorrentes desse alinhamento com a corporação /organização principal;
  3. a unidade apresente práticas – de sua concepção e responsabilidade específicas – que sejam de classe mundial, sendo diferenciada no seu setor e negócio;
  4. a corporação / organização principal apresente resultados diferenciados no setor/negócio, tendo estes resultados contribuição inegável da unidade;
  5. a unidade apresente resultados diferenciados no seu setor/negócio de atuação.

Um belo desafio! Pense nisso!

Guaragna, janeiro 2014.